• O cultivo da terra e a criação de animais são responsáveis por 12,2% do PIB brasileiro em 1996; • Agricultura e pecuária apresentaram, no entanto, desempenhos bem diferentes;
• Enquanto a produção total da lavoura cai 0,5%, a produção animal aumenta 7,8%;
• O desemprego sobe no campo e cerca de 1,5 milhão de trabalhadores são demitidos.
O recuo da produção agrícola deve-se à queda dos preços da safra anterior – o que inibe o plantio – e à inadimplência e falta de crédito que afetam grande parte dos agricultores. A área plantada é de 46,3 milhões de ha, o que eqüivale a 5,4% do território do país. No total, a safra cai de 79,3 milhões de t em 1995 para 72,9 milhões de t em 1996.
As maiores quebras de produção foram as seguintes: as de algodão (29,40%), cacau (13,60%), milho (11,85%), arroz (10,61%) e soja (9,51%). Alguns produtos, porém, apresentaram bons resultados. O desempenho do trigo foi excepcional, com um crescimento de 115,21%. Café em coco (38,89%), laranja (11,21%) e cana-de-açúcar (6,88%) também tiveram uma safra significativamente maior do que a anterior.
Como a agricultura enfrenta problemas sérios desde 1995, o governo toma medidas para aumentar e facilitar o acesso a financiamentos. Destaca-se a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). O teto máximo de financiamento é de R$ 5 mil para custeio da produção, de R$ 15 mil para investimento em máquinas e de R$ 75 mil para crédito coletivo. O objetivo é promover a pequena produção agrícola, orientando, capacitando e preparando o pequeno produtor rural para atividades mais modernas e competitivas. Críticos do programa, no entanto, alertam que o valor total de R$ 200 milhões é irrisório para resolver o problema da agricultura familiar.
A previsão de safra para 1997 é mais otimista. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) de setembro, feito pelo IBGE, a safra de cereais, leguminosas e oleaginosas deve atingir 77,3 milhões de t. Dos 17 produtos pesquisados, 11 devem ter variação positiva. A maior preocupação é quanto ao trigo, que deve ter produção inferior à de 1996. Isso porque as fortes chuvas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina têm prejudicado a lavoura e favorecido a ocorrência de pragas.
A pecuária, ao contrário da agricultura, passa por período de forte expansão em 1996, crescendo 7,8%. A produção de carne bovina totaliza 4 milhões de t, 339.000 t a mais que em 1995. O volume de leite produzido aumenta 7,5%, atingindo 11,4 bilhões de litros. A avicultura tem expansão de 7,6%, com produção total de 3 milhões de t. A produção de carne suína é de 1,2 milhão de t, um aumento de 7,3%. O bom desempenho da pecuária é decorrente do aumento do consumo interno de proteína animal, atribuído à melhoria do poder aquisitivo proporcionado pelo Plano Real, e ao crescimento das exportações do setor.
Em 1997, no entanto, a pecuária apresenta tendência a retração. Com a redução da demanda interna de carne bovina e a queda no volume de exportações, há expectativa de resultados inferiores aos alcançados em 1996. Já a produção de frango se mantém em alta graças à boa aceitação no mercado interno e no exterior.
Nenhum comentário:
Postar um comentário